Mirna Graciela
Imbituba
Entre os investimentos em obras no sul de Santa Catarina, os portos de Imbituba e Laguna são essenciais para o desenvolvimento econômico. Agora, com a finalização de um dos maiores gargalos na duplicação da BR-101, a Ponte Anita Garibaldi, o transporte de cargas ficará mais rápido.
Mesmo com a importância de ambos neste cenário de desenvolvimento, ainda há muitos desafios. A dragagem do canal do Porto de Imbituba é imprescindível para operar um número maior de contêineres, que deixam na região cifras mais expressivas do que a carga geral ou a granel.
Entre o ano passado e o anterior, o porto aumentou em mais de 40% sua movimentação de cargas. O número saltou de 400 contêineres no fim do primeiro semestre de 2013, para quatro mil no mesmo período em 2014. Atualmente, a profundidade do canal é de 15 metros, o que permite a passagem de navios com até quatro mil contêineres.
Com o aumento para 17 metros, os cargueiros com até oito mil contêineres poderão atracar. A Santos Brasil já investiu R$ 520 milhões em melhorias estruturais.
O diretor comercial da empresa, Marcos Torinho, acredita que o terminal vai se tornar o maior do sul do país.
Quanto ao Terminal Pesqueiro de Laguna, o principal desafio é a transferência de vínculo do empreendimento. O porto é responsável por 40% da economia do município e recebe em seu cais grandes embarcações carregadas com toneladas de pescados. Dali, a carga ganha o comércio das regiões sul, sudeste e centro-oeste do país.
ZPE: são 21 anos de promessa
Em 29 de julho de 1988, as Zonas de Processamento de Exportação (ZPEs) entraram em cena no Brasil por meio de um decreto-lei. Desde então, o país não conseguiu colocar sequer uma delas em funcionamento.
A burocracia, as desvantagens econômicas para grupos restritos, mas poderosos, e a falta de legislação tiraram o Brasil da vanguarda e o colocaram no atraso neste aspecto.
Em Santa Catarina, um projeto deste foi estabelecido. A ZPE de Imbituba nasceu no dia 28 de abril de 1994, sob o decreto 1.122, do então presidente da república Itamar Franco, sob aplausos e com a missão de trazer prosperidade, empregos, novas perspectivas.
Hoje, 21 anos, três meses e alguns dias depois, a ZPE de Imbituba segue na condição de uma frustrante promessa. Até agora, houve um investimento substancial de R$ 15 milhões para estruturar a área destinada à ZPE.
Em 2011, o governo tentou vender a sua parte no condomínio industrial. Não houve interessados. Depois, optou-se pela concessão à iniciativa privada. Também não saiu do papel.
Em junho de 2013, a última informação que se tinha era de que o governo catarinense havia dado uma espécie de ultimato na União: ou o governo federal termina o que lhe cabe para que o condomínio entre em funcionamento, ou a área será destinada a um novo empreendimento.
A opção mais em voga é tornar a atual estrutura da ZPE uma área retroportuária para armazenamento de cargas, um negócio bastante lucrativo. Contudo, ainda não existe uma definição a respeito de qualquer uma destas opções.

